Costa do Sauípe: porque eu não recomendo

Desde sempre, tenho preconceito contra resortões. A ideia das multidões se acotovelando na fila do almoco ou dentro de uma piscina sempre me assustou. Depois de ter me hospedado na Pousada do Toque então, exclusivérrima, em 2008, passei a ter mais certeza ainda de que resort não é pra mim, não nessa vida.

Mas depois dos filhos, a gente precisa pensar em praticalidades, tudo precisa ser o mais facilitado possível para evitar estresse. Meu filho tem 1 ano e 4 meses e é um furacão, super temperamental, precisa gastar energia. Minha filha tem 4 anos e precisa também de entretenimento, e a logística nas férias tem  que ser a mais descomplicada possível para que a gente se divirta e o estresse seja o mínimo possível. Todos que viajam com filhos pequenos sabem do que estou falando.

Por isso, ao vir ao Brasil por 1 mês de férias, principalmente quando ão se pode vir todo ano, precisa ser bem planejado para que seja especial, para que seja inesquecível, para que todos curtam e lembrem das férias com gosto de saudade.

De estadia acertada na casa que meu tio tem em Itacimirim, ao norte de Salvador, resolvi pesquisar entre os resorts da região para passarmos 2 dias e aproveitarmos tudo o que um resort pode nos oferecer: kids’ club, piscinas, restaurantes com cardápio variado, etc. Depois de muito ler, optei pela Costa do Sauípe – especificamente o Sauípe Park.

Fiz a reserva pelo Booking.com uns 2 meses antes da nossa chegada e no dia 18 de dezembro de 2013 dirigimos os 25km entre Itacimirim e o Sauípe, onde chegamos às 4 da tarde num dia de sol e calor.

 Na guarita, o primeiro estresse. Um estresse mínimo, claro, irrisório e que teria sido esquecido não fossem os subsequentes no resto do dia. O senhor sentado na guarita me diz:

 – Pois não?

 (eu penso: como assim poisnão? Estamos chegando num resort e ele espera que eu diga o que, vim comprar um quilo de carne?)

 – Boa tarde, eu respondo – temos uma reserva.

–  Ah, sim. Cadê o voucher?

 (Chocada. O ano é 2013, o assunto da moda é a sustentabilidade e não se imprime papel a toa, nem passagem de avião se imprime mais, meu senhor…)

 – Não imprimi voucher nenhum. Tenho aqui meus documentos e o senhor pode achar minha reserva pelo meu nome – eu respondo, apresentando meu passaporte.

 O homem passa os próximos 20 minutos tentando achar minha reserva. Desligamos o motor do carro, abrimos as janelas, as criancas comecam a ficar impacientes…

 O homem liga pra um, liga pra outro, tenta soletrar meu nome, meu sobrenome, sem sucesso. Eu o ajudo. Vamos lá, K-a-i-s-e-r, F-la-v-i-a.

Não acha. Por fim me pede para que a gente se dirija a uma recepcão, logo na entrada do complexo. Seguimos pra lá, eu salto com meu passaporte pronta pra falar um monte, mas a mulher atrás do balcão encontra minha reserva sem nenhuma dificuldade e nos deixa seguir.

Agora saltamos na frente do Sauípe Park e vamos fazer o check-in. O visual impressiona. Imaginamos que teríamos 2 dias muito legais pela frente. À mulher na recepcão, que repete as mesmas explicacões vinte milhões de vezes por dia (aqui está a chave da copa do bebê, aqui está o cartão toalha, que a senhora deve entregar no quiosque da piscina, o restaurante abre hora tal, e bla bla bla), eu pergunto:

 – O bercinho que eu solicitei no momento da reserva pelo Booking, já está no nosso quarto?-

–  Não senhora, mas estarei fazendo o pedido e tanto o bercinho quanto a banheirinha estarão sendo enviados o mais rápido possível para o quarto da senhora.

Depois de algum tempo finalmente posso fazer o pagamento (total, diga-se de passagem – procede, producão? No momento do chek-in deve-se fazer o pagamento total da estadia? Achava que isso era só no check-out). Ela diz o valor, a maquininha do cartão mostra um valor diferente, 100 reais a mais, eu imagino que tenha entendido o valor errado, enfim, faco o pagamento e subimos pro quarto.

Desfazemos a malinha, damos uma olhada básica da varanda, uau, tudo parece muito bonito, camas grandes, banheiro decente.

Esperamos um pouco pelo tal bercinho, mas o dia comeca a escurecer e não queremos perder muito mais tempo, então decidimos descer e dar uma olhada no lugar. O telefone toca.

 – Senhora Flavia, é da recepcão. Por engano acabei cobrando 100 reais a mais no seu cartão, a senhora faz o favor de descer pra gente efetuar o estorno?

Como queremos aproveitar o resto do dia, respondo que eu passaria por lá pra resolver o problema do pagamento depois do jantar. E assim, seguimos pro Kids’ Club.

Eu detestei o espaco Kids, mas isso é minha visão pessoal. Uma tv fica ligada tocando o dvd da famigerada Galinha Pintadinha na maior altura, sem que tenha ninguém assistindo. Um incômodo. Vez ou outra passa um monitor mal humorado, alguns balbuciam um automático “Boa tarde”. TODOS os funcionários do resort estão treinados como poodles de circo a dizer bom dia, boa tarde ou boa noite a todos os hóspedes sempre que passam por eles. Totalmente forcado e chato.

Enfim seguimos para o jantar às 7 horas, hora que considero muitíssimo tarde para o início do jantar, considerando que resorts são lotados de criancas sempre, e muitas criancas dormem cedo – como as minhas, que às 7 estão, geralmente, já deitadas em suas caminhas. Assim o plano era comer e correr pro quarto antes que duas criancas extremamente cansadas comecassem a dar chilique.

Chegamos no quarto pouco antes das 8, e surpresa! Nada do bercinho. Desci para a recepcão com a minha filha, para resolver o problema do estorno e perguntar pelo berco. O recepcionista ligou pra alguém, que informou que o bercinho estava a caminho (ainda?!). E iniciou-se o processo de tentar retornar meus 100 reais.

O recepcionista passou o cartão numa máquina, depois na outra, ligou pra alguém, tentou com um código, com outro, ligou pra mais outro alguém, e nada de conseguir fazer o estorno. Chega então a menina que tinha efetuado o meu check-in, e cobrado a mais. Ela também tenta em vão. Ligam para várias pessoas. Aparentemente ninguém sabe o segredo de se devolver 100 reais cobrados indevidamente. Então chega uma terceira pessoa. O recepcionista “brinca”:

 – Sheila! A Sheila vai resolver. Se ela não conseguir, ninguém mais consegue!

Sheila não tem a menor nocão de atendimento ao cliente. Chega e nem olha para mim, que a essa altura já estava ali em pé há pelo menos meia hora. Sheila tenta uma, duas, três vezes sem sucesso. Até que pouco antes das 9 da noite – sim, cerca de uma hora em pé na recepcão esperando resolverem o problema, minha filha perguntando a todo segundo que horas pode ir dormir, que está cansada, etc. – eu finalmente digo:

 – Sheila, me dê meu cartão. Vou subir agora, estou cansada e minha filha também. Amanhã resolvemos isso.

Sheila se recusa a me devolver meu cartão, soltando um automático “Só 5 minutos, senhora” e eu me pergunto por que dou mais uma chance. Mas depois de poucos minutos e nenhum progresso no caso, minha filha comeca a dar sinais de que vai cair de sono sobre o balcão e eu literalmente tomo meu cartão da mão de Sheila e digo que vou subir.

 – Senhora, se não resolver isso hoje amanhã não dá mais, ela me ameaca. Eu chamo isso de ameaca.

Eu ignoro e vou pro meu quarto… quando descubro que o nem bercinho, nem a banheirinha tinham chegado. São 9 da noite, meu filho chora no colo do pai, que, nervoso, já tinha ligado pra central de atendimento perguntando sobre o paradeiro do berco. Mas claro que ninguém no Sauípe fala inglês. Ligo eu, dessa vez, e pergunto:

 – Cadê a caminha do meu filho, Fulana?!

– Cadê o que, senhora?

– A caminha do meu filho!!!!

– Caminha? Aaaah o bercinho, a senhora quer dizer né?

Ah, gente. Se eu não fosse essa pessoa bem-educada que vos escreve…

Nesse momento o bercinho chega. No mesmo instante, a Sheila da recepcão liga.

 – Senhora, estarei subindo até o seu quarto com a maquinhinha para fazer o estorno do seu dinheiro…

– Sheila, agora não MESMO. O bercinho acaba de chegar e meu filho vai dormir, e eu também, amanhã resolvemos isso!

– Amanhã será tarde demais, senhora, ela me ameaca de novo.

– Isso é o que veremos, Sheila, eu respondo e desligo.

Eu não dormi bem essa noite. Com a confusão, não coloquei minha filha pra fazer xixi antes de dormir, e claro que ela fez xixi na cama durante a noite. Acordei várias vezes pensando no que falar com a Sheila no dia seguinte, até chegar a conclusão de que seria perda de tempo. Eu precisava falar com algum gerente. O estresse foi muito para uma tarde e uma noite. A banheirinha prometida jamais chegou ao nosso quarto.

No dia seguinte conversei com uma gerente que foi bem atenciosa. Ela me ofereceu uma massagem gratuita como compensacão pelo estresse. Eu disse que era pouco, não estava interessada, pois estava ali para curtir com minha familia, e não para ir passar tempo sozinha fazendo massagem. Eu disse que esperava pelo menos receber uma diária de volta. Ela disse que não tinha autoridade para me devolver a diária, mas passaria para o setor financeiro e eu obteria uma resposta antes do meu check-out.

No dia do meu check-out, a Jussara da central de relacionamento me liga e diz que não foi autorizado o retorno da minha diária, apenas dos meus 100 reais cobrados a mais (quanta bondade!!!!), mas que eles poderiam me oferecer um check-out mais tarde. Olha, só rindo. Expliquei que não tinha interesse em sair mais tarde pois tinha outros compromissos. Ela disse que “estaria passando minha posicão para o setor financeiro”. Não tive mais contato com a Jussara.

Fui embora com uma única certeza: Costa do Sauípe, NUNCA MAIS. Talvez daqui a um bom tempo eu dê outra chance a um outro resort. Mas lá, não mesmo. Paguei para passar estresse e ser mal atendida. Na fazendinha, um rapaz mal-humorado e em completo silêncio (zero empatia com as criancas) faria a ordenha da vaca pelo que várias criancas aguardavam ansiosas. No quiosque da piscina, uma atendente muito mal-humorada balbuciou algo que eu não entendi e quando perguntei de novo – ela respondeu pronunciando bem sílaba por sílaba como se estivesse completamente sem paciência com pessoas surdas como eu. Achei que ela fosse me morder. E várias outras situacões como o rapaz do bar molhado que mal ouviu o meu pedido (eles tem dificuldade em olhar para a gente no rosto, parecem estar voando sempre) e me trouxe uma caipiroska ao invés da caipirinha. E olha gente, o resort estava bem vazio. Nem dá pra usar a desculpa de que estava lotado e os funcionários estavam super-mega-estressados-ocupados.

Ouvi dizer que o Iberostar Praia do Forte é bem melhor. Se você estiver em dúvida, dê uma chance ao Iberostar. Não se hospede no Sauípe se você espera um MÍNIMO de bom atendimento e consideracão com a sua família.

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Sobre Flavia

Uma brasileira que saiu do Brasil à francesa em 2003 e nunca mais voltou
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4 respostas para Costa do Sauípe: porque eu não recomendo

  1. Ilana disse:

    Hahahahaha fiquei estressada so de ler…

  2. Alessandra disse:

    Gostei do seu dasabafo! Espero que tenha muita repercussão nas pesquisas sobre o resort, pois eles merecem pelo stress que lhe provocaram.

  3. Ana disse:

    Oi Fla! Não sabia que você ainda tinha um blog, vi no seu FB agora pouco.

    Concordo com você. Estive no Vila Galé em Guarajuba (próximo a Salvador) quando a Helena tinha 5 meses. Ainda que nesse caso achei os funcionários muito bem (e genuinamente) educados, todo resto é ruim (e caro). Também tive que pedir um trilhão de vezes por um bercinho (que tinha solicitado na reserva, feita diretamente com o hotel) e me trouxeram um bercinho portátil com um colchão que não servia nele. A comida era sofrível. A Helena não tinha idade ainda para kids club, mas pareceu bem meia boca, pois estava em reforma e depositaram as crianças num espaço de eventos / reuniões.

    Imagino que passarei por esse tipo de situação de novo, mas pelo preço que cobram, eu esperava MUITO mais.

    Beijinhos!

    • Flavia disse:

      Oi Aninha! Quanto tempo! 🙂

      Depois de muito compartilhar essa história, tenho a impressão de que é uma coisa meio que típica da Bahia mesmo. Não lembro de ter sido tão mal-tratada como cliente no Espírito Santo. Olha, tava triste – onde a gente entrou, era uma má-vontade generalizada, um atendimento horrível, os atendentes literalmente debrucados sobre o balcão, quase dormindo!

      Beijocas, sua filhota tá LINDA demais!

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