Brasil 2008, parte 2: Alagoas

Segunda Parte: Alagoas

Maceió, 13 de outubro de 2009

Saímos de Vix cedinho, voamos às 9. No aeroporto, aquele drama, despedida de papai e mamãe não é fácil nunca. Voamos pro Rio, onde esperamos horas. Almoçamos no aeroporto, fiz as unhas, e finalmente às 14 e pouquinho, voamos para Maceió pela Gol, com escala em Aracaju.

Chegamos em Maceió às 6 da tarde, pegamos nosso carro na Unidas no aeroporto mesmo – dessa vez um Palio Weekend muito massa – e fomos pro Hotel Porto Grande, na Ponta Verde. Bom, não recomendo. Achamos uma pechincha – R$100 a diária, mas por um pouquinho mais teríamos ficado no Ibis, na frente da praia da Pajuçara, pois tava rolando uma promoção para reservas pela internet. A cama pequena e o colchão desconfortável do Porto Grande acabaram com nossas costas, nosso quarto dava de frente pra rua onde um caminhão fazia barulho de manhã cedinho, não há elevador (parece uma pousadinha mesmo), enfim, não vale a pena. A única vantagem foi que pudemos caminhar dali até as Tapioqueiras da Jatiúca (onde nos acabamos de comer tapioca!) e o passeio pela orla foi delicioso.

Devo confessar que fiquei um cadim decepcionada com Maceió. Ah, eu prefiro MIL vezes Vila Velha, mesmo a Praia da Costa não tendo aquele azul calcinha do mar de Maceió. Achei a praia suja, havia copos de plástico, garrafas de plástico, enfim, várias sujeiras por todo lado. Não nos banhamos ali, só passeamos pelo calçadão mesmo.

Já na terça-feira de manhã fomos cedo para o litoral sul, Barra de São Miguel. Quando chegamos a piscina natural formada pelo recife a poucos metros da praia estava deliciosa. Nos acomodamos na areia e comemos macaxeira frita, claro, e tomamos água de côco. Mas logo a maré encheu, e a correnteza ficava nos empurrando pra esquerda, uma verdadeira hidroginástica! De tardinha fomos embora, mas aproveitamos muitíssimo o sol gostoso e a tranquilidade da praia.

De noite uma deliciosa experiência gastronômica: fomos jantar comida baiana no AkuabaDe entrada pedi acarajé pra todo mundo, e pra minha sorte a sogra e o marido não curtiram muito, sobrando um bocado pra mim! Estava divino e veio servido com vatapá (delícia!!!), camarão e caruru. Água na boca só de lembrar. O ambiente é super aconchegante, os preços super razoáveis e o atendimento de primeira. Eu adorei estar com os gringos nesses lugares todos. Sempre me perguntavam primeiro se eu era a intérprete (!!!) deles, hehehe!

Litoral Norte

No dia seguinte, quarta-feira, partimos para São Miguel dos Milagres, o que vinha a ser o ponto alto de nossa viagem. Nos hospedamos, claro, na Pousada do Toque. Depois de quase dois anos lendo todos os louvores do Ricardo Freire para a pousada, nenhuma outra me parecia interessante o suficiente. Até entrei em contato com algumas outras da Rota Ecológica, mas o Nilo me fisgou desde o primeiro email trocado. E foram quase dois anos trocando emails!

Ocupamos dois Chalés Praia: O  Mar (eu e marido) e o Acácias (sogros). Não venha para a Pousada do Toque se não gostar de ser extremamente mimado por todos. Já na recepção fomos recebidos com água de coco e frutinhas pela querida Luciana.

Aqui ficaríamos por 6 noites, e só queríamos sossego, sossego e mais sossego. A Praia do Toque, bem na frente da pousada, é mais do que eu precisava ou queria. Uma tranquilidade sem fim, ninguém à vista, água extremamente morna e azul…

Praia do Toque

Aqui jantávamos todos os dias às 8. Eu deixava inteiramente à escolha do Nilo ou do J.R. o cardápio do nosso jantar. Só lucramos com isso. Comemos lagostada pela primeira vez, lagostim, farofa de inhame, feijão tropeiro, purê de banana da terra, até um novíssimo prato inventado pelo Nilo, steak de atum com ratatouille de frutos do mar com arroz… enfim, coisas que me arrepiam os cabelos do nariz só de lembrar. Sabor, sabor, sabor. Os sogros e marido iam ao delírio a cada prato. Mais engraçado foi no primeiro jantar, quando, sentadinhos aguardando o banquete, ouvimos a voz do J.R. ou do Bartô na maior altura pro restaurante inteiro ouvir:

 Flavia e família, que se abram as cortinas, vai começar o maior espetáculo da culinária brasileira…

Ai que saudade!

No dia de maré baixa indicado pelo Nilo fomos de jangadinha motorizada até a piscina natural do Toque, que assim como eu já imaginava, era perfeita. Que Maragogi, que nada – sim, um dia dirigimos até Maragogi, mas que furada das boas! Nadar com os peixinhos foi lindo, mas o caos, o circo instalado no lugar, com direito a comida e bebida sendo vendidas dentro da água, a insistência sacal dos fotógrafos de plantão para tirarmos fotos embaixo da água, as mil pessoas no mínimo que estavam ali no momento… não, não vale a pena. Bem que o Nilo tentou nos avisar! Nesse mesmo dia seguimos dirigindo para o norte e chegamos à Praia dos Carneiros, mas não deu pra aproveitar nada. Já eram 2 da tarde, comemos no Bora-Bora – uma delícia! – e pegamos a estrada de volta. Não recomendo fazer essa loucura toda em um dia só, ficamos super cansados. Voltemos à piscina natural da praia do Toque.

Piscina Natural do Toque

Às tardes, quando estávamos na pousada, nada era mais convidativo que os bangalôzinhos em torno da piscina, com redes e sofazinhos onde tiramos várias sonecas, onde almoçamos algumas vezes, onde tomamos sorvetes e outras sobremesas deliciosas como o creme de papaya com licor de cassis (um verdadeiro campeão de pedidos durante nossa estadia) e claro, experimentamos vários dos drinks preparados pelo J.R.

Jan se estressando

Tarde relax

Também visitamos a Praia dos Morros, que fica do outro lado do Rio Camaragibe. Paramos o carro num restaurantezinho à beira da praia e seguimos a pé. A travessia do rio fizemos de barquinho.

Rio Camaragibe

A visão na chegada na Praia dos Morros é dramática. Sei lá quantos quilômetros de areia branca, mar verde de um lado e coqueiral intocado do outro. Os sogros se instalaram ali, mas eu e Jan só ficaríamos felizes depois de ter caminhado até as falésias. O que se ouve é apenas o barulho do vento nas árvores e as ondas. Como um sonho. A gente nem conversava pra não estragar o clima de paraíso.

Praia dos Morros, que tal?

Aliás, é bom lembrar: compre bebidas e leve alguma coisinha pra comer, não há nenhum comércio na Praia dos Morros e a caminhada é longa. Mas vale cada centímetro percorrido.
No nosso último dia inteiro na pousada, fomos visitar Aldoo peixe-boi do Rio Tatuamunha. A jangada partiu da pousada, e entrou no rio pelo mar, uma coisa linda como a paisagem vai mudando e assumindo ares de manguezal. Rio adentro, motor da jangada desligado, só ouvíamos pássaros e o vento. Que delícia.

Rio Tatuamunha

Claro que chegando ao cercadinho onde alguns peixe-bois são readaptados à vida dentro do rio, ficamos ansiosos. Será que Aldo vem nos receber? Claro que ele veio, simpaticíssimo, colocou as enormes nadadeiras (patas?) em cima da nossa jangada, desfilou exibido, até sorriu pra foto. Tive que me controlar pra não fazer um chamego nele.

Aldo

O que ainda não relatei é que os dias na pousada já começavam espetaculares: o café da manhã dava vontade de passar o dia todo sentada ali pedindo mais. E eu que ainda não conhecia Cartola (banana quente com queijo e canela, socooorro!!!), tapioca de goiabada, bolinho de goiaba! E tome água de coco, suco de mamão com laranja, um show, um show. Obrigada pelas nossas manhãs deliciosas, Bartô! Os gringos não vão esquecer nunca e agradecem até hoje pela geléia de goiaba 🙂

Café da manhã na pousada

No dia da nossa despedida, nem Nilo, nem J.R. estavam na pousada! 😦
Quero destacar que estávamos meio ansiosos com a conta. Durante a semana inteira pedíamos tudo sem pensar no valor. A gente só queria comer e beber bem, enfim, ter uma estadia inesquecível também gastronomicamente falando. Resultado, fomos surpreendidos por uma conta bem mais camarada que imaginávamos! Realmente  não feriu nossos bolsos nem nossas contas bancárias e se a gente soubesse disso teria bebido umas caipirinhas a mais!
O único comentário “negativo” que eu posso fazer, é que no site da pousada está escrito que os travesseiros são de penas de ganso. Nós tínhamos 8 travesseiros no nosso Chalé Praia Mar. Todos de látex. Pra mim, eram altos demais, acho que podia ter travesseiros de tamanhos diferentes. Mas também nem lembrei de “ir reclamar”. Fica a dica aí, Nilo 🙂
Assim seguimos para o sul, a última parte de nossa viagem, e chegamos a Penedo, nas margens do São Francisco, à tardinha.
Litoral Sul
Penedo foi um soco na boca do estômago. Casario conservado? Não vi. Tudo caindo aos pedaços, pinturas descascando em todas as casas, lixo pra todo lado, montinhos de lixo a cada esquina. Uma feira feia e fedorenta. Nem vou colocar fotos aqui. Ficamos na Pousada Colonial, que eu escolhi por ser na frente do rio, enquanto o hotel São Francisco fica na rua de trás. Me arrependi. A pousada também estava caindo aos pedaços. A fachada me fez ficar com vergonha de hospedar meus sogros ali. Tivemos que trocar de quarto porque do teto do nosso banheiro estava caindo algo que eu definiria como terra e caiu também um bicho, besouro, algum parente distante da barata, sei lá o que era aquilo. Trocamos de quarto e eu não consegui dormir, encuquei e achei que o local estava infestado de escaravelhos. A cama super desconfortável, imagine, estávamos vindo da Pousada do Toque.
O restaurante Forte da Rocheira não estava aberto, porque eu não sei. Daí jantamos em um outro na margem do rio que a recepcionista da pousada indicou, mas não me lembro o nome, só me lembro do fedor terrível de esgoto que subia, foi o jantar mais difícil da minha vida. A comida estava OK. Bom, pensei, esse local é somente uma basse para o passeio no São Francisco que faríamos no dia seguinte. Sobreviveremos.
Enfim o dia seguinte chegou e era o dia do nosso passeio pelo Velho Chico.
Piaçabuçu e o São Francisco
Bem antes da nossa viagem, eu tinha contatado o Robério do Farol da Foz Ecoturismo, com sede em Piaçabuçu, para dois passeios: um pelo rio até a foz, de lancha rápida, e outro de super buggy por um coqueiral até as dunas de Piaçabuçu. O Robério foi sempre super atencioso nos emails, mas pessoalmente ele excedeu qualquer expectativa. Extremamente gentil, atencioso e simpático, além de um profundo conhecedor do rio e de sua história. Nos encontramos com ele cedo, e partimos em sua lanchinha rio afora. Foi maravilhoso de dentro da nossa lancha a jato, vermos ao longe aqueles barcos CVC apinhados de gente – foi uma grana super bem investida na exclusividade!
Foz do Velho Chico
Foz do Velho Chico
Chegamos na majestosa foz do rio, paramos numa prainha longe de tudo e de todos os barcos da CVC, rs. O marido adorou se banhar na água doce do rio, ele não curte muito o sabor da água do mar (eu amo!!!). Ficamos por ali um tempo, relaxando e ainda tivemos direito a muitas manobras radicais na lancha a todo vapor, a sogra ficou de-ses-pe-ra-da. Adorei!
Almoçamos num restaurante à beira-rio indicado pelo Robério, fizemos uma horinha na sede da Farol da Foz e como tínhamos um pneu furado (furamos o pneu duas vezes durante nosso tempo no Brasil), o Robério ainda fez a graça de consertá-lo pra gente.
De tarde seguimos de super buggy para as dunas. O tempo de repente se fechou e a chuva estava a caminho. O passeio pelo coqueiral foi uma lição de biologia, saímos dali sabendo tudo sobre coqueiros e o marido decorou a história toda, e conta pra todo mundo. Chegar no alto das dunas foi a glória, a paisagem era fabulosa. Até meu sogro que usa uma muleta – manca da perna direita – subiu a duna pra apreciar a vista lá de cima. Fizemos um pouco de ski-bunda, mas logo choviscou e com areia molhada a prancha não desliza. Era hora de voltar pra Penedo. Foi um dos dias mais bem aproveitados da viagem, ficamos felicíssimos e recomendamos imensamente o Farol da Foz Ecoturismo!
Dunas de Piaçabuçu
Dunas de Piaçabuçu
No dia seguinte, quinta-feira, acordamos e saímos dirigindo de volta pra Maceió, onde passaríamos nossa última noite em terras brasileiras. No caminho, paramos no Mirante do Gunga e tiramos muitas fotos lindas lá de cima, e claro que compramos uns artesanatos também.
Vista do Mirante do Gunga
Vista do Mirante do Gunga
De volta a Maceió, não tínhamos reserva, pois havíamos cancelado a reserva dessa última noite no Porto Grande. Todos os hotéis da orla estavam lotados. Achamos um na divisa entre a Pajuçara e a Ponta Verde, uma rua atrás da praia, de que eu também não me lembro o nome, só me lembro de ter comido lá o pior café da manhã da minha vida. Vou ver se lembro o nome e posto aqui, daí vocês por favor não se hospedem lá jamais! Mas bom, foi uma emergência.
À noite, para fechar a viagem com chave de ouro, fomos jantar no Divina Gula. Hmmmmmmmm, hmm, hmmmmmmmmm! Os sogros pediram o Prato da Boa Lembrança (era um frango com alguma coisa) e saíram felicíssimos com seus pratos de cerâmica que hoje enfeitam suas estantes; já eu fui de comida brasileiríssima mesmo e pedi uma desfiada confiada, uma carne-de-sol desfiada com purê de inhame, abobrinhas frescas e banana-da-terra frita. De ter orgasmos gastronômicos múltiplos! Marido foi de picanha, claro, e se esbaldou. Atendimento 10, ambiente super cool, enfim, recomendo altamente!
No dia seguinte só tivemos tempo de ir embora do hotel rumo ao aeroporto, de onde fomos pro Rio, Rio-Paris de Air France e finalmente Paris-Copenhague.
Viajar com os sogros não foi fácil. Tudo correu bem, mas por diversas vezes eu tive que exercitar de maneira sobrenatural minha paciência quase inexistente. Mas o melhor de tudo é que eles tiveram uma experiência rica, surpreendente, com um saldo super positivo e talvez, agora, eles me entendam melhor quando eu achar as festas de família dinamarquesas um saco 🙂
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Sobre Flavia

Uma brasileira que saiu do Brasil à francesa em 2003 e nunca mais voltou
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