Mangia che te fa bene!

Sexta-Feira, 31 Julho, 2009

Ninguém pensa em Itália sem associar o país com uma cozinha deliciosa. Pasta, gnocchi, presuntos, queijos, vinhos! A lista é infinita!

Tentei seguir os conselhos do guia Toscana que comprei, e comer nos restaurantes mais baratos indicados no livro, por cada uma das cidades onde passamos. Nem sempre foi possível – em Arezzo, por exemplo, o café indicado no guia não abre às terças e quartas, e foi numa terça que a gente passou por lá.  Aliás foi o dia mais quente de nossa viagem inteira, então nem tive vontade de fazer muita coisa – paramos num café na Piazza Grande e ficamos lá bebendo suco de laranja e água.

Vamos lá.

Pra começar, fizemos muita comidinha em casa. Os supermercados vendem todo tipo de pasta fresca: nossos preferidos foram pici (um spagueti bem “gordinho”) e gnocchi al ragù. Na Itália descobri que essa coisa de “à bolognesa” não existe.  Molho de carne moída é ragù! Em alguns supermercados já comprávamos o molho pronto, homemade, uma delícia!

Na Toscana e na Umbria, a gente pode encontrar o ragù de carne bovina, claro, mas também de carne de javali (cinghiale, em italiano), é bem típico da região e uma delícia. Na verdade eu dificilmente diferenciaria o ragù de javali e o de carne de boi. Pode pedir, sem medo :)

Economizando e ainda assim comendo bem, alternamos dias fazendo comida em casa ou  almoçando sanduíches rápidos:

Comidinha em casa

Comidinha em casa

Em Firenze eu recomendo altamente um sandubinha de pecorino com prosciutto crudo no I Fratelini (eles tem vários outros sabores!). Custa só 2,5€ cada, e você ainda pode tomar uma tacinha de vinho Chianti Classico pra acompanhar. Sentamos na calçada mesmo. Atendimento rapidíssimo, sanduba delicioso (comi 2!) e você já está pronto pra continuar a bater perna.

Il Fratelini, Firenze

I Fratellini, Firenze

Ainda em Firenze, aceitamos a sugestão do guia de jantar no Il Latini. Havíamos feito reserva, mas nem sei se era preciso? Às 19:30, quando eles abrem, havia uma pequena multidão já esperando na porta. Daí eles abrem a porta e vão guiando as pessoas às mesas e o conceito é colocar pessoas que não se conhecem na mesma mesa, o que eu já sabia e estava empolgadíssima para experimentar! Fomos sentar junto com um casal e logo já veio a entrada. Não tirei fotos dos pratos no Il Latini :( porque em pouco tempo descobrimos que esse casal era – pasmem – brasileiro! E daí a conversa rolou solta e ninguém lembrou de tirar foto. Eram o Flávio, baiano que mora em Sampa, com sua esposa Ana Paula. Simpatissíssimos, conversamos sobre viagens, claro, e sobre comida! Me lembro apenas do prato principal, um Stracotto alla fiorentina que estava simplesmente di-vi-no, e de ter roubado o gnocchi vegetariano da Ana Paula, rs :) Igualmente delicioso. Recomendo.

Il Latini
Il Latini

Em San Gimignano tivemos nossa primeira experiência desagradável com comida. Foi a única, também :) Resolvemos almoçar no Le Terrazze, que fica bem na Piazza della Cisterna. Esse restaurante também estava bem recomendado no guia, mas não recomendamos, não gostamos e já já digo o porquê.

Primeiro, pedimos um simples spaguetti al ragù que demorou anos-luz pra chegar. Daí, quando chegou, estava frio!!! Frio e seco. Parecia que não tinha molho algum. Chamamos a garçonete e ela levou os pratos de volta – e depois voltou com os mesmos pratos, requentados no microondas! A essa altura a fome era grande e engolimos o spaguetti. Não antes de pedir azeite, que não estava sobre a mesa. Eis que a garçonete nos aparece com dois sachezinhos de azeite, um pra cada…

Spaguetti no Le Terrazze
Spaguetti no Le Terrazze
Azeite?
Azeite?

Essa experiência só não foi completamente arruinada porque nossas entradas estavam deliciosas:

Melone con Parma
Melone con Parma
Salada de tomate com mussarela e basílico
Salada de tomate com mussarela e basílico

Mas fomos embora sem deixar gorjeta.

Em Chianti visitamos o Castelo di Verrazzano e foi uma experiência deliciosa em todos os sentidos: o visual, os cheiros, a degustação inesquecível, a aula sobre a história do local no tour pela propriedade… recomendamos altamente, valeu cada minuto, cada euro. A especialidade deles é carne de javali, que eles criam no local - o salami de javali é simplesmente delicioso!

Castelo di Verrazzano
Castelo di Verrazzano

Claro que a grávida aqui não tomou esse vinho todo! Pra mim rolou um suco de uva naturalíssimo e delicioso.

Suco de uva
Suco de uva

Em Siena comemos um pici al ragù (um favorito, rs) no La Taverna del Capitano, que tem uma atmosfera incrível com as paredes cobertas de fotos do palio. Atendimento ótimo, bem pertinho da catedral, não tem como errar.

Pici al ragù
Pici al ragù

Um dos melhores pratos que comi nessas duas semanas na Toscana foi em Cortona. Um cannelloni de carne de javali com molho de ervilhas, no restaurante La Loggetta – La Locanda nel Loggiato. Além da comida maravilhosa, atendimento impecável e uma vista linda sobre a Piazza della Republica.

Caneloni de javali com molho de ervilhas
Cannelloni de javali com molho de ervilhas
Locanda nel Loggiato
Locanda nel Loggiato

Em Arezzo, mais um almoço baratinho que nos surpreendeu: um sandubinha diferente de tudo o que eu já tinha provado, numa ruelinha discreta, com mesinhas na calçada e cheia de locais. Juro que eu e marido éramos os únicos turistas ali – pelo menos estrangeiros. Estava bem cheio, mas depois de menos de 5 minutos descolamos uma mesinha na calçada e saboreamos um sandubinha de parma, queijo derretido e rúcula no La Tua Piadina.

La Tua Piadina
La Tua Piadina

Claro que comemos dois, cada :)

Em Montalcino, mais um almoço baratinho: um sanduba de pecorino fresco com parma (e eu queria outra coisa?!) na Fiaschetteria Italiana.

Fiaschetteria Italiana
Fiaschetteria Italiana

Nossa gran finale foi em Montepulciano. Eu havia feito reservas pela internet, com um mês de antecedência, pra jantar no terraço do Il Grifon d’Oro, com uma vista espetacular para o Lago Trasimeno. Era nosso aniversário de 3 anos de casamento e eu queria algo bem especial! Já adianto que não nos arrependemos por nenhum segundo. Começou com a vista. Depois o atendimento – só um garçon atendendo e dando conta do recado muitíssimo bem! Não esperamos muito tempo para nada: nem pelo menu, nem para fazermos o pedido, e o tempo entre um prato e outro foi perfeito. Lamento não ter memorizado o nome daquele garçon, muito fino e simpático.

De entrada:

Pecorino com mel, pão de alho com azeite e geléia de cebola
Pecorino com mel, pão de alho com azeite e geléia de cebola

Pasta:

Pici à moda da casa, com molho de tomate
Pici à moda da casa, com molho de tomate

 

E o prato principal:

Kebab
Kebab

Apesar dessa carne se chamar kebab, eu nunca tinha comido uma carne tão saborosa e bem temperada na Europa. Não era desses kebabs que a gente vê em cada esquina… Que delícia que estava!

Brindando no Il Grifon d'Oro
Brindando no Il Grifon d’Oro

Na estrada

Segunda-feira, 13 Julho, 2009

Então, fomos à Toscana de carro, saindo da Dinamarca. Tínhamos decidido dirigir até Munique e passar a noite lá, aproveitando para encontrar um querido amigo que mora por lá e jantar com ele. Saímos de casa na sexta-feira dia 19 de junho, às 5 da matina.

Eu dirigi de casa até a chegada no sul da ilha de Sjælland, onde pegamos o ferry para fazer a travessia para a Alemanha. Esse primeiro trecho de carro leva 2 horas; a travessia de ferry leva cerca de 40 minutos e é bem gostosa quando o tempo está bom e podemos curtir o deck do lado de fora :) Chegando na Alemanha o Jan assumiu o volante.

Não tínhamos dirigido nem 30 quilômetros quando um carro da polizei colou no nosso traseiro, nos ultrapassou e nos mandou parar o carro! Estava chovendo, encostamos e o policial mandou sairmos do carro. Até essa hora nos perguntávamos o que havia de errado… até que o policial falou:

- Recebemos uma ligação sobre um carro que estaria usando placas falsas…

O Jan se apressou para providenciar os documentos do carro e eu caí na risada! Eis aí o motivo da preocupação do policial:

Kaiser

Kaiser

 

Aqui na Dinamarca, pagando uma grana extra pelo emplacamento, a gente pode escolher a placa do nosso carro – desde que não ultrapasse o limite de 7 dígitos e desde que não haja um outro idêntico já em circulação, claro. Quando compramos nosso carro ano passado o marido me fez uma surpresa e de presente me deu o Kaiser. Kaiser é meu sobrenome, herdado do lado alemão da família de meu pai. Na Alemanha tem Kaiser pra todo lado – nome de praças, vilas e de pessoas. Acho que o polizei tava mesmo era com inveja da nossa placa!

Mal-entendido devidamente desfeito, continuamos…

A estrada até Munique é bem chata. Na verdade estava bem caótica – vimos muitos caminhões fazendo ultrapassagens perigosas, muitos trailers de camping, muitos, muitos carros, enfim, tráfego intenso – mas não podemos reclamar, não pegamos congestionamento em nenhum trecho sequer. (indo pra França no ano passado encaramos alguns poucos e não muito longos).

Durante a maior parte da viagem pegamos muita, muita chuva! Isso nos atrasou um pouco e só chegamos em Munique às 6 da tarde. Fizemos poucas e curtíssimas paradas pelo caminho – tínhamos levado nossos próprios sanduíches e outras guloseimas de casa, então foi mais pra comer dentro do carro mesmo, esticar as pernas e fazer xixi.

Em Munique, nos hospedamos no Fleming’s Hotel München-Schwabing. Um hotel novo, bem localizado, 4 estrelas, um ótimo serviço, com um café da manhã bem gostoso e farto, uma cama confortável e tudo muito moderno e de muito bom gosto. Mas o quarto era minúsculo, minúsculo mesmo. Assim eu o recomendo para estadias como a nossa, em que só queríamos um estacionamento, um banheiro e uma cama. Passar mais de uma noite ali teria sido tortura.

Encontramos meu amigo e fomos comer na Marienplatz, mas estava chovendo tanto e fazendo tanto frio que não tivemos ânimo pra tirar fotos. Queríamos comer algo rápido e bem típico da Bavária, então o local foi perfeito.

Depois demos uma voltinha pelo centrinho, tivemos um gostinho de Munique, com certeza queremos voltar. Mas passeio turístico com chuva realmente pra mim, não dá.

No dia seguinte saímos depois de um café da manhã demorado. Não tínhamos muita pressa, pois só poderíamos pegar as chaves da casa na Toscana depois das 4 da tarde. Gente, a estrada a partir de Munique é coisa de filme. Depois de pouco tempo estávamos na Áustria. Que visual!!! Alpes, cujos topos ainda estavam cobertos de neve. Muitos castelos e  igrejas nos topos de colinas. Vilarejos típicos, muito, muito verde.

Áustria

Áustria

 

Castelo, bem perto da fronteira com a Itália

Castelo, bem perto da fronteira com a Itália

 

De repente cruzamos a fronteira com a Itália e curiosamente o tempo já começou a mudar; já podíamos ver o céu azul atrás das nuvens de chuva, e a natureza exuberante, verde, um ar gostoso de respirar…

Entrando na Itália

Entrando na Itália

 

Ainda com neve no topo dos alpes

Ainda com neve no topo dos alpes

 

E tome estrada. No caminho até nossa casa em Casole d’Elsa, na Toscana, muitas pontes e muitos túneis.

Muitos túneis

Muitos túneis

 

Finalmente estávamos na Toscana! Que delícia aquele cenário de filmes que muitas vezes tinham passado pela minha cabeça lendo relatos em outros blogs. Muita paisagem linda, muitos vinhedos, muitos girassóis.

Muita uva

Muita uva

 

Muitos girassóis!

Muitos girassóis!

 

No dia que rodamos por Chianti, passando pela famosa S222 – uma estradinha cheia de curvas e paisagens lindíssimas que liga Firenze a Siena – acho que paramos o carro umas mil vezes pra tirar foto de tudo quanto é ângulo. Tudo era imperdível!

Chianti

Chianti

S222, Chianti

S222, Chianti

Jan e o Kaiser, Chianti

Jan e o Kaiser, Chianti

Eu e o Kaiser, Chianti

Eu e o Kaiser, Chianti

 

E agora a estradinha de terra, que sai da estrada cheia de curvas em Casole d’Elsa e leva até a nossa casa no meio do nada, com a vista mais gostosa do mundo:

Casole d'Elsa

Casole d'Elsa

Chegando...

Chegando...

Chegamos! Nossa casa é a do canto direito na foto

Chegamos! Nossa casa é a do canto direito na foto

 

Próximo capítulo: muita comida…


Sob o Sol da Toscana

Terça-feira, 7 Julho, 2009
Girassóis pela estrada afora

Girassóis pela estrada afora

Quando comecei a planejar essa viagem, sabia de 2 coisas: queria ir pra Itália e tinha 2 semanas pra passear por algumas cidades. Pensei em Veneza, Roma, Cinque Terre, Toscana e comecei a ler e pedir dicas no TripAdvisor,  Viaje na Viagem e no Viaje Aqui da Abril.

Graças aos conselhos de muita gente boa, resolvi restringir nosso território à Toscana somente. Assim como a Grécia, a Itália é grande e tem infinitas possibilidades, e deve ser apreciada moderadamente e sem pressa. Ainda por cima considerando que eu já estaria no sexto mês de gravidez, tinha que ser uma verdadeira slow travel.

Além disso as condições eram: iríamos de carro, e tínhamos duas casas alugadas, uma pra cada semana: uma em Casole d’Elsa e outra já na Umbria, nas margens do Lago Trasimeno, mais próxima do sul da Toscana.

Alugamos as casas através de uma parceria do meu trabalho com a Novasol, e saiu beeeem em conta! As casas eram perfeitas, ambas tinham piscina e jacuzzi, limpas e bem equipadas. Recomendo a Novasol.

Tentei combinar vários passeios de um dia só pelas cidades da Toscana, de forma a não nos cansarmos demasiadamente e aproveitarmos o que fosse possível de cada cidade. Deu certo! Planejamento é tudo, e é quando a viagem realmente começa.

Aguardem os próximos capítulos: paisagens, comida, museus, cidades e torres medievais :)